domingo, 9 de setembro de 2018

Alterações na metodologia para análises de teor de argila em solos é recomendada


Nos anos de 2010 a 2011, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento demandou da Embrapa ações para definir, a nível nacional, a padronização da metodologia de determinação da granulometria dos solos, já que a determinação do teor de argila nos solos deveria ser um dos indicadores utilizados para avaliar a qualidade dos solos em projetos de fomento para a agricultura familiar (Ministério..., 2008) e, que diferentes laboratórios vinham até então produzindo resultados discrepantes em função da adoção de diferentes técnicas analíticas. 


A Embrapa Solos liderou então um estudo com diferentes instituições e especialistas nacionais, no sentido de recomendar a padronização e a correção dos procedimentos adotados nos diversos laboratórios, resultando naquela oportunidade no comunicado técnico intitulado PADRONIZAÇÃO DE MÉTODOS PARA ANÁLISE GRANULOMÉTRICA NO BRASIL (Almeida et al, 2012). Nesta publicação foi recomendada alterações na metodologia adotada pela Embrapa até aquele momento (Manual de Métodos de Análises de Solos da Embrapa).

Entre as principais alterações houve a recomendação da inclusão da coleta da fração “argila + silte” e a distribuição do erro em todas as frações granulométricas. Outra recomendação foi que fossem realizados testes para verificar o dispersante químico mais eficiente para análise granulométrica em solos das diversas regiões do país (Almeida et al., 2012).

Atendendo a recomendação da circular técnica, a Embrapa Acre testou a eficiência de três dispersantes químicos para uso nos solos em nossa região: hidróxido de sódio 1 mol L-1; hexametafosfato de sódio (35,7 g L-1); e a mistura desses dois, conforme recomendação da Embrapa (19971) e Camargo et al (2009). Neste estudo, constatou-se que o dispersante predominantemente utilizado (NaOH) deveria ser substituído pela mistura do hidróxido e hexametafosfato de sódio, por ter sido o mais eficiente nos solos de nossa região (SILVA et al., 2014).

No inicio de 2018 a Embrapa Solos publicou uma nova versão do MANUAL DE MÉTODOS DE ANÁLISE DE SOLO (Teixeira et al., 2017). Nessa publicação recomenda-se o uso da análise granulométrica conforme sugerido no comunicado técnico de 2012.
Considerando as diretrizes definidas pelo próprio Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e a recomendação oficial para os laboratórios de análises de solos no Estado do Acre e de Rondônia, o Núcleo Regional Noroeste da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo sugere que a partir de janeiro de 2019, os laboratórios de solos dos Estados do Acre e de Rondônia adotem os novos procedimentos em rotina. 

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, B. G.; DONAGEMMA, G. K.; RUIZ, H. A.; BRAIDA, J. A.; VIANA, J. H. M.; REICHERT, J. M. M.; OLIVEIRA, L. B.; CEDDIA, M. B.; WADT, P. G. S.; FERNANDES; R. B. A.; PASSOS, R. R.; DECHEN, S. C. F.; KLEIN, V. A.; TEXEIRA, W. G. Padronização de Métodos para Análise Granulométrica no Brasil. Rio de Janerio: Embrapa Solos, 2012. 11 p. (Embrapa Solos. Comunicado Técnico, 66).

CAMARGO, O.A.; MONIZ, A.C.; JORGE, J.A.; VALADARES, J.M.A.S. Métodos de Análise Química, Mineralógica e Física de Solos do Instituto Agronômico de Campinas. Campinas, Instituto Agronômico, 2009. 77p. (Boletim técnico, 106, Edição revista e atualizada)

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA. Manual de métodos de análise de solo. 2. ed. Rio de Janeiro: Centro Nacional de pesquisa de Solos, 1997. 212p.

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 2, DE 9 DE OUTUBRO DE 2008. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Brasília: D.O.U. 10/10/2008. Secção I.

SILVA, L. M.; MARTINS, R. A.; WADT, P. G. S.; VIANA, H. M. ; DONAGEMA, G. K.Dispersantes químicos e tipos de agitação mecânica na determinação das frações granulométricas de solos do Estado do Acre. In: II Reunião de Ciência do Solo da Amazonia Ocidental, Porto Velho: 2014. p. 43-47.

TEIXEIRA, P. C.; DONAGEMMA, G. K.; FONTANA, A.; TEXEIRA, W. G. Manual de Métodos de análise de Solo. 3ª. edição revisada e ampliada: Brasília, DF: Embrapa, 2017. 574 p.


AUTORES: 
Lucielio Manoel da Silva. Analista, Embrapa Acre. Doutor em Biodiversidade e Biotecnologia pela REDE BIONORTE.
Paulo Guilherme Salvador Wadt, Pesquisador, Embrapa Rondônia. Doutor em Solos e Nutrição de Plantas pela Universidade Federal de Viçosa.